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October 2, 2018

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PIANO, BATUTA E EMPREENDEDORISMO - MAESTRO JOÃO CARLOS MARTINS.

Em entrevista exclusiva à Revista Governança Jurídica, Maestro João Carlos Martins falou sobre empreendedorismo, liderança e, como não poderia deixar de ser, música.

 

 

Sua vida e obra é digna de filme. Não se trata de mera força de expressão, visto que a obra estreou nos cinemas brasileiros no último mês de agosto, tendo Alexandre Nero no papel de Martins. Pianista de sucesso, maestro de renome e empreendedor social, Martins tocou, aos 28 anos, pela primeira vez no Carnegie Hall, em Nova Iorque, e foi considerado pela crítica musical um dos maiores intérpretes do compositor alemão Johann Sebastian Bach.

 

Sua saga nos pianos durou décadas, mas uma série de problemas – lesões na mão por acidentes e por esforço repetitivo, assaltos, entre outras – o impediram de seguir como pianista, aos 64 anos. Apaixonado pela música, Martins começou a estudar para se tornar um regente de orquestra e, mesmo com apenas dois ou três dedos, faz questão de se apresentar ao piano em seus espetáculos.

 

Além da virtuosidade na música, João Carlos Martins esteve entre um grupo de músicos e empresários brasileiros que acreditam na música como um instrumento de transformação social.

 

 

Eles criaram, em 2006, a Fundação Bachiana, responsável por administrar o “Projeto A Música Venceu, um trabalho de musicalização para crianças e jovens do país.

 

A iniciativa conta com quatro momentos distintos:

 

  1. Formar um novo público para a música clássica;

  2. Fazer com que muitos jovens usem a música como uma forma de expressão pessoal;

  3. Formar profissionalmente músicos;

  4. Descobrir talentos musicais – diamantes, na opinião de Martins – para dar orgulho ao Brasil.

 

Esta entrevista passa justamente por esses temas: música, empreendedorismo e superação.

 

Revista Governança Jurídica: Como uma orquestra pode ser comparada a uma empresa? Que tipo de relação podemos fazer neste sentido?

 

Maestro João Carlos Martins: Aos 64 anos, os médicos falaram que eu não poderia mais tocar piano. Uma semana depois, eu comecei a estudar para fazer o papel de regente. Mas, sempre com dois ou três dedos, eu toco piano nos concertos.

Podemos dizer que a música é a régua do mundo. Se um governo vai bem, todo mundo fala que ele funciona como uma orquestra. Mas, se há protestos contra, o governo fala que é uma orquestração contra a administração.

 

A palavra harmonia precisa estar presente sempre. É o que uma orquestra pode dar ao seu público.  A orquestra é como se fosse uma empresa. Em primeiro lugar, não pode ter um divórcio entre um naipe [famílias de instrumentos pela qual a orquestra é organizada] e outro. Os naipes lutam por um objetivo único, que é transmitir emoção às pessoas que foram assistir àquele concerto. Em uma empresa, é preciso ter a união entre todos os departamentos, sabendo que um depende do outro.

 

RGJ: Qual o papel de um regente dentro de uma orquestra? E qual seria o papel de um líder em uma empresa?

 

JCM: Uma empresa precisa de um líder, que não pode ser prepotente, mas ter humildade com liderança. No momento em que a liderança é feita com humildade, todos os departamentos seguem o foco do seu líder. Ser líder é ter a coragem de perguntar a um diretor do departamento financeiro: “Você acha que estamos indo no destino certo ou precisamos mudar?” Isso faz parte de uma relação entre um líder e os funcionários, que precisa ser realizada.

 

RGJ: Sua carreira passou por inúmeros altos e baixos, por variados motivos, especialmente com as questões de saúde. De que forma isso contribui para nos tornarmos pessoas e profissionais melhores?

 

JCM: Eu fiz nada mais nada menos do que 23 operações. Baseei minha vida em transformar cada adversidade em uma plataforma para alçar um voo mais alto. O importante é sempre manter a trajetória da esperança.

 

Quando nascemos, somos uma flecha. E a flecha tem que alcançar o seu destino. Você pode ter erros e acertos, desviar do seu destino, mas deve atingir o seu objetivo.

 

RGJ: Várias de suas ações são relacionadas às causas sociais. Qual a importância de grandes nomes e figuras, como o senhor, se engajarem nesse tipo de iniciativa?

 

JCM: Quando eu larguei o piano e comecei a [trabalhar com a] orquestra, no fundo, agradeci a Deus por continuar na música. Pensei: vou buscar a excelência musical por meio da responsabilidade social.

 

Com as crianças que trabalhamos, você encontra vários perfis: talvez 70% vão fazer parte do público [de música clássica]; 20% terão a música como um hobby; 10% poderão até ser profissionais; e 1% é um diamante a ser lapidado.

 

Essa é a razão pela qual eu digo que, em cinco anos, vou formar mil orquestras em cidades pequenas. Para atrair a atenção dos patrocinadores, é preciso mostrar excelência administrativa.

 

O patrocinador precisa ganhar confiança e ver a seriedade do seu projeto.

 

A partir disso, aquele patrocinador não larga mais você e o seu trabalho. É com ideais, não com milhões, que se faz música. Depois de tudo por que passei, só posso dizer que a música venceu.

 

RGJ: Qual a importância do empreendedorismo? Qual a sua importância para a sociedade?

 

JCM: Nós conhecemos a palavra empreendedorismo em todos os segmentos da sociedade, mas muito pouco no que diz respeito à música. O que é empreendedorismo em relação à música clássica: 80% das iniciativas dependem de uma atuação do governo. É preciso ampliar a atuação da iniciativa privada. É preciso ter na cabeça que o governo pode dar infraestrutura, mas o empreendedorismo depende do agente cultural.

 

RGJ: Como desenvolver projetos sociais e de empreendedorismo com a música?

 

JCM: A Lei Rouanet é uma ferramenta importantíssima. Mas precisa de uma apuração rigorosa, pois se trata de um fundo público. Ela deveria trabalhar, de certa forma, como um TCU [Tribunal de Contas da União]. As pessoas costumam falar: “é artista”. Parece que não dão importância a forma rigorosa como a arte deve ser tratada em relação aos números. Atualmente, a bilheteria não mostra mais o sucesso de um projeto, tem que ter um patrocínio. Bilheteria é um plus, com exceção de grandes festivais, como o Rock’n’Rio, mas estou falando de música clássica. A bilheteria é aquele plus que dá para convidar outros artistas. Bilheteria não é o que importa.

 

 

SOBRE A REVISTA GOVERNANÇA JURÍDICA

A revista Governança Jurídica é editada pela equipe do escritório Amaral, Yazbek Advogados e é destinada a empresários, advogados, diretores da área jurídica e executivos de pequenas, médias e grandes empresas - profissionais a quem cabe a tomada de decisões referente à vida das organizações.

 

Fonte: Revista Governança Jurídica - Ed. Out/2017 - Amaral, Yazbek Advogados.

Foto: Divulgação

 

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