A sala de aula do futuro?

Universidade privada em Madrid desenvolve sala de aula equipada com tecnologias de videoconferência, colaboração virtual para análise de Big Data e simulações em tempo real.

Ao olhar para a foto acima, dificilmente vamos associá-la a uma sala de aula. Não há alunos sentados em cadeiras, não há um quadro negro ou um projetor para que o professor passe slides feitos em PowerPoint. Entretanto, é justamente isso que ela é: uma nova sala de aula, inaugurada em outubro desse ano, da IE Business School de Madrid, uma escola de negócios privada com cursos de pós-graduação e MBA.


O espaço conta com uma parede curva de 45m2 de telas, que podem mostrar imagens de até 80 alunos de todos os lugares do mundo simultaneamente. O professor, por sua vez, também não precisa estar fisicamente presente na sala; ele tem a opção de ser projetado na forma de holograma e movido ao redor do ambiente por um robô.


Para o presidente das Universidades IE, Santiago Iñiguez, a sala, batizada com o nome Wow (da sigla em inglês Window on the World, ou Janela para o Mundo), representa a forma pela qual as salas de aula poderão evoluir ao longo do século XXI.


“Nós tornaremos o processo de aprendizado mais eficiente, agradável, flexível e adaptável às necessidades dos alunos”, disse ele em uma entrevista ao Times Higher Education. “Como consequência, aprimoraremos o processo de aprendizado e os resultados; isso representará um salto significativo na história da educação”.


Iñiguez ressalta, entretanto, que para sua previsão se tornar realidade, as Universidades IE não podem contar apenas com as novas tecnologias; para ele, a forma pela qual as tecnologias são utilizadas para transformar o processo pedagógico representará a chave para o sucesso.


Na sala Wow, por exemplo, o palestrante terá a possibilidade de parear estudantes para discussões, conduzir pesquisas de opinião em tempo real e ver dados relacionados a participação dos estudantes. Eles poderão até mesmo monitorar os níveis de atenção dos participantes através de suas câmeras de smartphones ou tablets. Os alunos, por sua vez, poderão participar dos debates levantando a mão, como se estivessem em uma sala de aula tradicional.


Uma vantagem significativa da tecnologia da sala Wow é que ela não necessita de conexões de banda larga para operar, o que a torna potencialmente acessível a uma maior base de usuários ao redor do mundo.


Uma sala de aula como essa não é a primeira a ser construída no mundo. A comparação mais próxima talvez seja a sala virtual HBX Live, da Universidade de Harvard. Os criadores da sala Wow, contudo, acreditam que sua ampla variedade de ferramentas ajudará a destacá-la da concorrência.


A sala Wow permitirá aos alunos trabalharem em documentos e analisarem Big Data de forma colaborativa. Também será possível realizar simulações em tempo real de situações relacionadas ao mundo dos negócios e conflitos diplomáticos, que podem ser desenvolvidas com a participação de experts no assunto.


Para Mike Sharples, professor de Tecnologia da Educação da Open University, do Reino Unido, um dos testes para a sala Wow será o desenvolvimento de novas técnicas de ensino que se baseiem nas novas tecnologias.


“Se, no final das contas, continuarmos apenas a propagar o formato que já é utilizado há mais de 200 anos, mas com as novas tecnologias, então não é muito empolgante”, afirma ele. “Mas, se [a sala Wow] for usada para explorar novas formas interessantes de ensino, como conectar pessoas da área e permitir com que compartilhem experiências de onde estão situadas com outras partes do mundo, então pode ser bem empolgante”.


Entretanto, o principal desafio dessa nova tecnologia educacional talvez seja, no futuro, permitir o acesso à educação de alta qualidade para o mundo inteiro, e não apenas para uma elite global. Inicialmente, ela será usada nos cursos de MBA da Universidade IE de Madrid, que custarão entre €44,700 e €75,000.


Fonte:

https://www.sprace.org.br/

https://www.timeshighereducation.com

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